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 ONU sobre diversidade biológica no Japão

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Os próximos dias podem ser decisivos para as cerca de 50 bilhões de espécies de animais, vegetais, fungos, bactérias e demais seres vivos que habitam a Terra. Começa hoje e vai até o dia 29, em Nagoya, no Japão, a 10ª Conferência das Partes (COP-10) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica. A reunião tem o objetivo de avaliar o que foi feito nos últimos 10 anos para salvar as milhares de espécies que correm risco de desaparecimento e fixar novas metas sobre o tema. Os dados preliminares, porém, não são animadores: poucos compromissos assumidos pelos países há uma década se transformaram em realidade, e a natureza nunca esteve tão ameaçada.

Em 2000, na conferência realizada em Cartagena, na Colômbia, 175 países se comprometeram a cumprir, até este ano, 21 objetivos para a preservação da diversidade de vida no planeta. Agora que esse prazo expirou, nenhum país pode dizer que atingiu todos os objetivos presentes no documento, intitulado Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). O Brasil passou perto e conseguiu avançar em alguns deles, como na redução do desmatamento e das queimadas, e chega à convenção como protagonista.

Para o secretário interino de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João de Deus, o Brasil tem boas condições de exercer um papel de liderança nas negociações. "Apesar de não atingir totalmente as metas, o país chega como um protagonista, tanto por abrigar a maior diversidade do planeta quanto por ter feito o possível e um pouco mais para atingir o acordado na COP-6 (de Cartagena)", afirma.

A posição confortável brasileira se deve especialmente às iniciativas de preservação da Amazônia. Quase 30% da floresta já fazem parte de reservas ambientais, e o índice de desmatamento caiu quase 75% nos últimos anos. Estudo publicado no ano passado na revista científica Biological Conservation destaca o protagonismo brasileiro. Segundo a pesquisa, desde 2003, o aumento das reservas ecológicas mundiais ocorreu lentamente, com exceção do Brasil, que criou sozinho 74% de todas essas áreas de preservação no período.

No entanto, nem todas as áreas estão em situação tão positiva, como o próprio governo admite (veja quadro). Segundo o 4º Relatório Nacional de Biodiversidade, que será apresentado pelo MMA na COP-10, apenas 3,14% dos 9.198km de costa do país estão protegidos, o tráfico de animais ainda é um sério problema e a poluição, especialmente nas áreas urbanas, ameaça o funcionamento de boa parte dos ecossistemas. "Nosso objetivo é repactuar sobre bases mais sólidas novas metas, que possam ser cumpridas e não passem apenas de um acordo de boas intenções, como acabou se tornando o atual acordo", completa João de Deus.

Entre os assuntos mais polêmicos que devem dominar a pauta da reunião de Nagoya está a distribuição equitativa dos recursos e benefícios resultantes da biodiversidade. "É um ponto complicado, pois diversos países historicamente exploram espécies e conhecimentos originários de comunidades tradicionais sem pagar nada por isso", conta Helena Paverse, coordenadora regional do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Outra questão que envolve compensação financeira e pode representar um entrave nas negociações é a ajuda financeira de países desenvolvidos às economias em desenvolvimento. "Hoje se sabe que a maior parte da diversidade está em países que ainda estão em processo de consolidação econômica. Como a biodiversidade é um bem de todos, defendemos que haja ajuda técnica e econômica dos países ricos (para a preservação)", explica Helena.

Esse tipo de ajuda já está previsto, mas corre o risco de não ser contemplado na versão final do documento gerado pela COP-10. "Muitos países defendem que os valores repassados até hoje são suficientes e que, a partir de agora, a cooperação se dê apenas no nível técnico", afirma João de Deus.

"Pessoalmente, acho uma vergonha essa ajuda não ter sido ainda aprovada. Os repasses feitos até agora não estiveram dentro do esperado. E, em vez de aumentarem, estão tentando acabar com a ajuda", reclama o secretário.

Conscientização
Apesar de as decisões que serão tomadas no Japão terem um papel importantíssimo no futuro da vida no planeta, os especialistas acreditam que uma mudança de mentalidade só será possível quando a sociedade se conscientizar de que a preservação das espécies é essencial para a sobrevivência humana. "A sociedade tem um papel muito importante, no sentido de pressionar os governos. Sem isso, jamais existirá vontade política", afirma João de Deus.

Isso também é o que defende o ambientalista francês do Centre-Sciences dOrléans Francis Hoezelle. Ele acredita que as decisões políticas só se tornarão realidade quando houver uma mudança de cultura em toda a população. "As pessoas precisam compreender que defender a biodiversidade não é apenas trabalhar para a não extinção dos pandas. A biodiversidade vai muito além: são todos os vírus, bactérias e formas de vida que muitas vezes desprezamos", afirma o pesquisador.

Para ajudar nesse processo, Hoezelle é responsável por uma exposição interativa que percorre lugares públicos ao redor do mundo, mostrando de forma lúdica a importância da biodiversidade. "Acredito que especialmente as crianças têm um papel fundamental nesse processo. Elas serão os cidadãos do futuro e é a qualidade de vida do mundo que elas vão viver que estará em jogo, tanto pela perda de espécies, quanto pelo aquecimento global
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