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Japão intervém no câmbio pela 1a vez em 6 anos

O Japão interveio no mercado cambial nesta quarta-feira pela primeira vez em seis anos, comprando dólar para conter a alta do iene, e prometeu mais medidas para tentar impedir que a persistente valorização da moeda prejudique as exportações e ameace a frágil recuperação econômica do país.

Pouco depois de vencer uma disputa de liderança no partido, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, parece estar ampliando os esforços para combater a deflação ao conter a força do iene, que pesou sobre as ações e os lucros empresariais.

As estimativas variavam sobre quanto o Japão gastou na primeira intervenção no mercado de câmbio desde 2003 e 2004, quando as autoridades compraram 35 trilhões de ienes (409 bilhões de dólares).

Operadores sugeriram que a intervenção de quarta-feira teria totalizado entre 300 e 500 bilhões de ienes, embora algumas informações estimem um total de quase 100 bilhões.

O dólar foi impulsionado ainda mais frente ao iene quando o Ministério das Finanças japonês disse que a intervenção não acabara. A moeda norte-americana subiu cerca de 3 por cento, para mais de 85,50 ienes, depois de atingir 82,87, a mínima em 15 anos.

Ao contrário da intervenção anterior, o Banco do Japão não deve enxugar o dinheiro que entrará na economia como resultado da venda de iene, segundo fontes próximas ao assunto.

Isso indica que o banco central pretende usar o iene vendido como ferramenta monetária para aumentar a liquidez e estimular a economia.

Autoridades que vendem suas próprias moedas para enfraquecê-las normalmente emitem títulos para "esterilizar" os fundos e impedir que o excesso de capital aumente a inflação. O Japão, no entanto, quer promover a inflação, já que a economia tem sofrido com a deflação na maior parte da última década.

O BC pode seguir com medidas adicionais, como comprar mais dívida governamental, disseram economistas.

Analistas duvidam que outros países ajudariam o Japão a controlar o iene, pois eles precisam ter moedas mais fracas para impulsionar as exportações e o crescimento. A intensa pressão de Washington para que a China permita a apreciação do iuan também torna sensível a questão de outros países enfraquecerem suas moedas.

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